A propósito das ameaças e oportunidades que se colocam às Bibliotecas Escolares, lembrei-me da reflexão, deveras premonitória, que George Steiner faz, em 2001, sobre o futuro das biliotecas, no livro Gramáticas da Criação.
Ao longo dos dez últimos anos foram construídas e inauguradas mais bibliotecas públicas e nacionais que em qualquer período anterior. A nova British Library albergará aproximadamente dezassete milhões de livros, receberá anualmente cerca de quatrocentos mil leitores e adquirirá mais de cem mil novos títulos de doze em doze meses. Uma nova bilbioteca nacional alemã está a ser construída em Frankfurt. Em Paris, a Bibliothèque François Miterrand contém mais de doze milhões de volumes armazenados ao longo de quatrocentos e vinte quilómetros de estantes e deslocando-se, ao longo de oito quilómetros de tapete rolante. Está em condições de servir dois milhões e meio de leitores por ano e a incluir no seu catálogo cerca de duzentas mil novas aquisições anuais. As suas quatro torres inspiram-se, quase integralmente, na torre do Louvre onde, em 1368, Carlos V depositou um milhar de obras manuscritas. (continua)
